quarta-feira, 6 de março de 2013

sábado, 17 de novembro de 2012

Sétimas ao Dubitável e ao Contradizente

I
Há algo neste mundo
Que não podemos ver
Não é reto nem rotundo
Nem podemos esquecer
Aparece num instante
Não vizinho nem distante
E torna a desaparecer
II
É objeto esquisito
Sem objeto ser
É querido e malquisto
Em jornal rádio e TV
Não é belo nem odioso
Inglório nem glorioso
Nem o podemos perceber
III
É sol na noite escura
É lua no alvorecer
Ele é fruta já madura
Num ramo que irá crescer
Não é reto nem iníquo
É instrumento profícuo
Sem instrumento ser
IV
Hipnologogicamente
Ordena sem o poder
Eletromagneticamente
Atrai tornando a perder
É ríspido e delicado
Um rio que corre deitado
É treva ao amanhecer
V
A ruína é sua vitória
Não tem ordem ou saber
Não a pretérito na história
No futuro não há morrer
Nem fértil nem infecundo
Do horizonte é oriundo
Existindo sem viver
VI
Não é grande nem pequeno
Costura sem coser
Não é árido nem ameno
Corre o mundo sem correr
Não tem rosto nem forma
Em tudo se transforma
Sem mudar sem se mover
VII
Que é isto que me dizeis?
Algo que é um não-ser?
Se falais vos contradizeis
A dúvida é vosso escrever
Numa cruzada vos pondes:
Do arvoredo sois as frondes
Ou o silêncio do arborescer?

Autor: César dos Anjos


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Sussurros

o que seria

da vida

sem a música 

dos ventos

o que seria

das plantas

dos mares

de nós

seres humanos

o que seria

sem sua poesia

vinda

em uma suave brisa

ou

em uma bruta ventania

domingo, 4 de novembro de 2012

Razão do Ser

Será que está ausente?
ela
minha razão
não
não estou louca
não deu tempo
precipitei-me?
talvez sim
talvez não

E agora?

Sou capaz de pensar agir
tenho felicidade
em pequenos
acontecimentos diários

Estou ciente

Por que algumas pessoas
pensam que estão loucas
se nem ao menos
sabem o que é a loucura?

Enlouqueci?

Não
estou sã
bem sã
ela
está aqui
minha razão
bem aqui
presente
em mim

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O Sonhador - I

O pequeno pássaro sonha... quer cantar;
um canto fluido, latino, latente...
Aguarda dias... semanas... somente
após anos é liberto... que voar!

Ruflem-se as asas... namore-se o ar!
Escolhe a árvore mais atraente.
Em seu cume, pousa suavemente;
de norte a sul, avista o lugar.

Qual seria a amplidão de seu canto?
Que dizer de seus graves? E os agudos?
Alcançaria todo ser? De dia e ao luar?

Mas seus desejos tornam-se pranto.
Notas e dons... modulações... todos mudos.
O dom se foi... A arte partiu. Põe-se a chorar...

[Poema publicado na antologia ECOS DA ALMA, da Editora Andross, São Paulo]

Autor: César dos Anjos

Esperança

a luta de uma vida inteira
uma vida inteira de luto

a cada luta
a cada luto
permanecemos aqui

a luta acabou
acabei o luto

sobrevivemos

sábado, 1 de outubro de 2011

Feitio de Sentimentos

pelo alto
encontrei
observei
sonhei
você

pela vida
acreditando
confiando
respeitando
você

pela paz
lutarei
chorarei
alcançarei
você

pelo amor
compreendo
emociono
amo
você

por você tudo
por tudo enfim
por fim você

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Passos

Em que momento parei? Só queria dobrar a esquina. Pois ela estava bem ali.

Passagem do Tempo

um rastro de fogo
existe ardente
dentro de mim

um rastro de folhas
percorre o caminho
abandonado
solitário

um rastro de mistério
perdido no ar
amargo
insiste em permanecer

um rastro de silêncio
permite paz
regozijo
invade meu ser

um rastro de luz
iluminou-me
em parte
deixando-me
pela metade

um rastro de mim
foi o que ficou
quando parti

apenas um rastro...


Apetite

Quando percebi, havia sumido todo o banquete. Eles estavam por perto. Mas ninguém o viu.

Sublime

O que dizer sobre ti?
sei como és
conheço-te bem
no entanto
não posso descrever-te
apenas
sinto-te
e isto basta
penetras em meu ser
tudo posso
pois possibilitas-me isto

A cada dia cresce
me faz bem
sentí-lo por inteiro
me tomas por completo
és forte
poderoso
quero-te sempre comigo
sei que terei
pois és o maior
o mais sublime
de todos os sentimentos

Tu és o AMOR!

Acaso

Viajei no fim de semana. Só não esperava conhecê-lo.